Sobre o Espiritismo

Aspecto Histórico

Desde a antiguidade até os dias atuais, são registrados em diversos locais o contato dos vivos com os mortos.

Todavia, no século XVIII, antes de surgir a Doutrina Espírita, dois importantes acontecimentos são considerados preparatórios para o advento do Espiritismo: os “fenômenos de Hydesville” (Estados Unidos) com as irmãs Fox e as manifestações das “mesas girantes” que surgiram simultaneamente em várias partes do mundo.

Naquele século imaginava-se que a movimentação de objetos, pancadas e ruídos insólitos fossem uma moda passageira, um passatempo que desapareceria tão logo o fenômeno fosse desacreditado, mas isso não ocorreu.

Espiritismo e Allan Kardec

A frequência dos fenômenos não parava de crescer e aparecer em várias partes do mundo, razão pela qual despertou interesse do professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail.

Ele desenvolveu um método cientifico – experimental focado na lógica e razão para entendimento dos fatos ainda não analisados.

As anotações oriundas das respostas dos espíritos foram organizadas em um conjunto de livros que ele publicou sob o pseudônimo de Allan Kardec. Este nome foi adotado pelo Prof. Rivail na intenção de diferenciar a Codificação Espírita dos seus trabalhos pedagógicos anteriores.

A publicação do seu primeiro livro – O Livro dos Espíritos – foi considerado um marco na fundação do Espiritismo, cujo conteúdo foi revelado pelos Espíritos superiores, através de médiuns e organizada (codificada) por Kardec em 1857.

Em Paris, no ano seguinte, Kardec lança a Revista Espírita e cria a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Desde então muitos estudos foram realizados e outras obras doutrinárias foram concluídas, e posteriormente traduzidas em vários idiomas.

Para a correta compreensão da Doutrina Espírita, o estudo das obras de Allan Kardec é o referencial básico.

Obras Básicas da Doutrina Espírita

O Livro dos Espíritos – trata da filosofia espírita (18 de abril de 1857);

O Livro dos Médiuns – relativo à parte experimental e científica (janeiro de 1861);

O Evangelho segundo o Espiritismo – concerne à parte moral (abril de 1864);

O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina segundo o Espiritismo (agosto de 1865);

A Gênese, os Milagres e as Predições (janeiro de 1868).

O Espiritismo em nossas vidas

Com a vida atribulada de hoje, as pessoas esquecem as questões fundamentais da existência, focando-se no trabalho, nos seus prazeres e em seus problemas particulares.

Enquanto tudo está bem, nem pensam em Deus, muito menos meditam sobre o sentido da vida.

Porém, quando inesperadamente deparam-se com grandes perdas financeiras, morte de um ente querido, doenças incuráveis ou outro drama que atormenta a vida, sentem-se perdidos e confusos, sem encontrar a fé necessária, nem compreensão para enfrentar os problemas com coragem e resignação, e assim, caem no desespero.

O conhecimento espírita abre-nos uma visão ampla e racional da vida, esclarecendo-nos quanto às razões que nos impõe a necessidade dos sofrimentos, dando-nos força para iniciar uma mudança interior que nos levará mais perto de Deus e da verdadeira felicidade.

O Consolador prometido

O Espiritismo adota a moral cristã e vê em Jesus o modelo de conduta, exemplo máximo da prática do amor e da caridade para com o próximo. Mas, antes de sua partida ele anuncia a vinda de outro Consolador:

E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre. O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós (…). Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito. João 14:16-26.

As lições de Jesus reaparecem de forma clara através do Espiritismo (Consolador prometido), esclarecendo aspectos ainda não compreendidos e despertando novos valores morais, inspirando-nos a seguir a vida de forma mais otimista, auxiliando-nos a dirigir melhor nossos pensamentos a fim de superar as angústias que fazem parte do nosso processo evolutivo.

O Espiritismo responde às perguntas fundamentais da vida, tais como:

Quem sou eu? O que acontecerá depois da minha morte? Por que algumas pessoas sofrem mais do que outras? Por que uns nascem na miséria e outros na riqueza? Por que algumas pessoas morrem jovens e outras envelhecem? Por que Deus permite tantas desigualdades?
Estas são algumas dentre as muitas questões que ficam sem resposta lógica, quando analisamos a vida do ponto de vista de uma única encarnação.

A Doutrina Espírita sugere que olhemos a vida numa perspectiva mais ampla para assim obtermos as respostas para essas e outras dúvidas.

O Espiritismo não impõe seus princípios, mas convida os interessados em conhecê-lo a submeter os seus ensinos à avaliação minuciosa da razão antes de aceitá-los.

“Examinai tudo. Retende o bem.” I Tessalonicenses 5:21

 Roberta Cardoso et al