Trabalhadores da última hora

Meus filhos, Jesus nos ampare!

Eis-nos na gleba de redenção.

Honrados com o nobre mister de preservar a palavra do Evangelho, encontramo-nos no campo da construção do Mundo Novo.

Somos, porém, os trabalhadores da última hora, que anteriormente comprometemos o ministério de que nos encontrávamos investidos, não sabendo defender o legado que nos chegou do Alto.

Aturdidos pelas homenagens transitórias do mundo, fizemos chafurdar nos fossos miasmáticos da usura e da exterioridade pomposa da Boa Nova de redenção.

Agora, no entanto, surge-nos o momento de recomeçar e de refazer.

Haja o que haja, tenhamos tento. Não nos permitamos empolgar somente pelo primeiro minuto.

O trabalhador que se entusiasma, num momento de exaltação, pode ser comparado ao relâmpago poderoso que logo se apaga.

O discípulo do Evangelho é alguém que não esmorece nunca; operário que não abandona a enxada a pretexto de preservá-la, por saber que o instrumento deixado a esmo é corroído pela ferrugem, enquanto que a lâmina que se desgasta, no atrito do solo, reluz, sempre pronta para o serviço.

Cabe-nos, desse modo, o trabalho de desgaste das nossas imperfeições nas pedras e cascalhos do solo da reencarnação, porquanto soa o nosso momento de testemunhar fidelidade aos enunciados superiores da vida…

Estejamos tranqüilos, vencendo os pruridos da vaidade e da ostentação.

Constituímo-nos num todo harmônico, amparando-nos reciprocamente e fraternalmente servindo.

Ninguém trabalha para ninguém, antes, para si mesmo.

Somos, todavia, obreiros a serviço do Senhor.

As obras externas passam, enquanto o Espírito do Cristo, que colocamos dentro de nossas Casas, este, deve permanecer.

Não somos viandantes inexperientes na via evangélica… Não estamos convidados por primeira vez para o tentame… Não é esta a participação inicial, objetivando acertarmos o passo com o bem…

Não há muito, fascinados pela volúpia, cavalgamos a insensatez, disseminamos conflitos, espraiando nossas paixões.

Nos dias remotos, construímos a obra externa em detrimento da realização íntima e intransferível.

Diante dos altares do luxo e da corrupção, erguemos monumentos inspirados pela mentira transitória, em adoração a nós mesmos…

Hoje, porém, temos as mãos calejadas e o espírito dorido face aos desequilíbrios d’outrora.

Compete-nos não negligenciar na tarefa de fazer fecundar, no coração, o pólen da fé renovadora.

Não nos encontramos convidados para o banquete da fatuidade, nem deslizamos na barca da ilusão, singrando as águas do comodismo e do desperdício.

Nosso compromisso é com Jesus – nossa barca, nossa bússola, nosso norte, nosso ponto…

Jesus, meus amigos!

Aquele a quem juramos fidelidade, amor e serviço.

Hoje é o nosso dia de apresentar o Evangelho restaurado à sofrida alma do povo.

Falemos a linguagem simples e comovedora da esperança, trocando o verbalismo sonante e vazio pela semente de luz que devemos colocar na alma dos que padecem na cegueira da paixão e do desequilíbrio.

A nossa não é outra, senão a tarefa de conduzir com segurança os náufragos das experiências humanas ao porto da paz.

Não receemos! E confiando que a nossa tarefa se fará, digamos:

– Senhor: Tu que nos chamaste à Obra de restauração do amor nos corações, apiada-te de nós.

Somos fracos, fortalece-nos; somos imperfeitos, ajuda-nos; somos tíbios de coragem tropeçando a toda hora, soergue-nos.

Em chegando o momento culminante, quando a sombra da desencarnação pousar sobre cada um de nós, abre-nos as portas da vida nova, a fim de que possamos ressurgir vitoriosos, após o trânsito das cinzas do corpo frágil.

Guarda-nos de nós mesmos e permanece conosco até o fim da jornada!

Bezerra de Menezes

Mensagem psicofônica recebida na noite de 22 de agosto de 1973, na sede do Centro Espírita Discípulos de Jesus, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, pelo médium Divaldo Pereira Franco.