No lado oposto

O     homem vivia no sopé de elevada montanha. Aplicara a existência estudando os meios de conquistá-la.

Fez projetos meticulosos.

Planejou a via de acesso.

Calculou os patamares da escalada.

Consumiu longo tempo.

Gastou dinheiro.

Selecionou o pessoal necessário ao grande feito.

Depois de ingentes esforços, sacrificando inú­meras vidas de companheiros e animais e perdendo vasta cópia de material no decurso de toda a exis­tência, conseguiu atingir o tope.

Com surpresa, encontrou, lá em cima, toda uma nação de habitantes felizes, em plena comunicação com os vales imensos, através de primorosa estrada que haviam construído no lado oposto…

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Assim tem sido a vida de muitos filósofos e teóricos na Terra.

Fazem estudos.

Traçam projetos.

Perdem fortunas.

Dissipam oportunidades.

Queimam a saúde.

Articulam hipóteses e problemas.

Discutem.

Azedam as horas.

Fogem à cooperação e à fraternidade.

Mas, galgando as alturas da morte, analisam 05 gastos inúteis e a falta de objetividade dos esforços que despenderam, pois os planos de levantamento do caminho que buscavam tornam-se pueris e integral­mente superados pelas criaturas de boa-vontade que colocam proveito e serviço acima de contenda e con­versa.

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Como espírita, observe o que você procura.

Estude sempre, mas seja prático, para que, além da morte, o frio e a sombra da inutilidade não lhe surjam à frente.

Fonte: Bem-Aventurados os Simples. Waldo Vieira pelo espírito de Valérium (FEB)