Palavra

Na maternidade de uma grande cidade, um fato começou a chamar a atenção de uma enfermeira.

Ela era encarregada do berçário e procurou o chefe da pediatria.

Havia notado que todos os bebês que ficavam no último berço, no canto, choravam menos. Dormiam melhor.

O que seria? O médico brincou com ela. Quem sabe seria um berço milagroso?

Talvez fabricado com madeira especial. Quem sabe haveria uma fada protetora? Como a enfermeira insistisse, ele disse que iria contratar um detetive.

Resolveu ele mesmo investigar. Descobriu que a enfermeira tinha razão.

Os bebês que ali ficavam eram sempre mais acomodados. Deveria existir uma causa. O posicionamento do berço. Melhor ventilação. Colchão mais confortável. Menos ruídos. Checou tudo.

As condições eram absolutamente iguais em todos os berços.

Pensou na alimentação. Negativo. Os bebês eram alimentados dentro de critérios e horários rigorosamente observados.

E se houvesse diferença de tratamento? Alguma enfermeira mais eficiente, encarregada daquele berço? Também não.

Todas se revezavam no atendimento. Intrigado, o pediatra passou a visitar o berçário em horários diferentes.

Foi numa noite, perto das vinte e duas horas, que encontrou a solução.

A enfermeira de plantão estava no seu posto. A encarregada da limpeza passava o pano molhado no chão.

Ficou observando-a. Era uma senhora idosa. A tarefa lhe era penosa.

Então, ficou em frente ao berço privilegiado, enquanto descansava.

Começou a conversar com o bebê: Vida dura, meu anjinho. Minhas costas doem como se tivessem recebido pauladas.

Gracinha! Você deve estar feliz. Sombra e água fresca. Comidinha na hora certa.

Durante vários minutos, ela conversou com o ocupante do berço. Depois, retornou ao serviço.

O médico sorriu. Tinha resolvido o enigma. Encontrara a fada.

No dia seguinte, as enfermeiras receberam importante orientação.

Deveriam conversar com os bebês, enquanto cuidavam deles. O privilégio de um berço estendeu-se por todo o berçário.

*   *   *

A palavra é um instrumento que poucos utilizam como deveriam.

A arte de falar é conquista. Deve-se dispor desse abençoado instrumento para preservar a vida. Para enriquecê-la de bênçãos.

A boa palavra consola. Também ampara. Ensina. Salva. Falar sobre o bem, o amor e a esperança. Propor alegria entre as criaturas.

Ensiná-las a adquirir segurança pessoal. Transmitir-lhes carinho e ternura.

Expunha conceitos de forma simples. Conteúdo profundo.

Por isso, até hoje, permanece atual e sensibiliza os que tomam contato com seus ditos.

Travemos relação de amizade com Jesus. Comuniquemo-nos com o próximo. Irradiemos alegria e paz pela palavra como ele fazia.

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Não critiquemos. Abençoemos. Falemos auxiliando para o bem. Não discutamos. Demonstremos.

Não nos percamos em palavras vazias. Sirvamos sem reclamar.

Redação do Momento Espírita, com base no
cap.
 O enigma do berço, do livro Encontros e

desencontros, de Richard Simonetti, ed. Gráfica
São João; no cap. 11, do livro 
Episódios diários
e no cap. 4 do livro 
Momentos de iluminação,
ambos pelo Espírito Joanna de Ângelis,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 29.1.2014