Experiências

O menino de olhar manso e roupa rasgada namora o bolo na vitrina do restaurante.

Cavalheiro bem vestido vai entrando e o peque­nino roga-lhe um pedaço.

O homem afasta-o, irritado, e transpõe a porta, buscando refeição.

Passa jovem mulher com grande bolsa a bam­bolear-se e o garoto volta a pedir.

Mas, inutilmente.

A moça nega-lhe o pedaço de pão-de-ló, falando em vadios e malfeitores.

Nisso chega andrajoso mendigo e seu olhar cruza com o olhar do menino que nada lhe pede e continua contemplando o petisco.

O velhinho, condoído, procura algum dinheiro no paletó em frangalhos, compra um naco do bolo e, sorrindo, entrega a preciosidade à criança que, surpresa, agradece, comendo avidamente.

*

A justiça da reencarnação possibilita às almas o rodízio indispensável nas condições diversas da vida humana, para que os espíritos experimentem todos os tipos de aprendizado; contudo, entendemos com mais segurança e nos predispomos a auxiliar com mais presteza o próximo, quando já passamos pelas mesmas dificuldades que o atormentam.

Bendigamos, assim, a provação que a Terra por­ventura nos apresente, porque apenas as duras ex­periências vividas nos ensinam a ajudar aos nossos irmãos em duras experiências, e somente auxiliando os outros é que seremos auxiliados.

Livro: Bem-aventurados os simples, de Waldo Vieira pelo espírito de Valérium.