Família e as leis do universo

O Universo é regido por leis. Não resta muita dúvida a respeito desse fato. As ciências naturais nos mostram que os fenômenos possuem uma “linha” de desenvolvimento, submetem-se a disciplinas pré estabelecidas, a uma “norma”. Essas normas são fruto do pensamento do Criador. As leis naturais são leis de Deus.

Os pesquisadores procuram descobrir essas leis. Trilham pelos caminhos da observação, da experimentação e formulam hipóteses e leis. A concatenação lógica entre elas formam as teorias das ciências naturais.

As teorias podem coincidir, aproximar-se ou estar em contradição com as leis naturais. O aperfeiçoamento da ciência faz justiça a cada uma dessas situações, de modo que em sua evolução, nas transformações dos conceitos científicos, forma-se como que um pano de fundo estável. Entendemos que essa parte estável coincide com a própria lei natural.

Quando se defende a necessidade da família, muitos argumentam que o grupamento humano assim formado é obra puramente da iniciativa humana, não é decorrente da lei natural, mas da lei social, criação do homem, instável superável por novas invenções humanas.

Não é assim, entretanto. A família foi desenvolvida no âmbito das leis sociais. Mas as leis sociais que dizem respeito às coletividades humanas, estão inseridas no contexto maior da lei de Deus. Afinal nós também fazemos parte da Natureza, do cosmos.

A Doutrina Espírita, revivescência do Evangelho, nos ensina que o caminho da redenção é a aquisição das qualidades morais preconizadas pelo Cristo no Sermão do Monte. Humildade, Paciência, Mansuetude, Amor, Perdão… O Espiritismo traz ensinamentos muito bem fundamentados que, além de se caracterizarem pela firme racionalidade, nos fornece comprovações experimentais das suas afirmações.

Assim é que ao lado do grande desafio de auto superação, da necessidade de vencermos o egoísmo, o orgulho e todos os vícios, nos mostra que, por meio da reencarnação, Deus, nos concede excelentes oportunidades de reajuste, de recuperação espiritual. Os espíritos amigos e esclarecidos mostram que o processo de aquisição da felicidade passa pela melhoria espiritual; que quanto mais purificados, livres do mal, mais felizes seremos.

Esses instrutores, além de esclarecidos são gentis, bondosos, transmitem sentimentos confortadores. Tal a razão porque Jesus designou a Doutrina Espírita de “O Consolador”.

O processo de aperfeiçoamento espiritual, passa pela convivência em família. Vejamos, como essa questão está posta em O Livro dos Espíritos:

913. Dentre os vícios, qual o que se pode considerar radical?

“Temo-lo dito muitas vezes: o egoísmo. Daí deriva todo mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos há egoísmo. Por mais que lhes deis combate, não chegareis a extirpá-los, enquanto não atacardes o mal pela raiz, enquanto não lhe houverdes destruído a causa. Tendam, pois, todos os esforços para esse efeito, porquanto aí é que está a verdadeira chaga da sociedade.

Quem quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição moral, deve expurgar o seu coração de todo sentimento de egoísmo, visto ser o egoísmo incompatível com a justiça, o amor e a caridade. Ele neutraliza todas as outras qualidades.”

Esse item versa sobre a causa de todos os problemas morais, de todos os vícios. O verdadeira natureza egoísmo está aqui revelada: nosso maior mal e raiz de todos os males. Um dia nos livraremos dele, mais rapidamente ou mais lentamente, dependendo da determinação de cada um.

Outra pergunta relevante presente em “O Livro dos Espíritos”:

775. Qual seria, para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família?

“Uma recrudescência do egoísmo.”

Combine-se as informações expostas por essas duas questões e a importância da família se revela de modo claro, cristalino.

A família foi formada ao longo da evolução da humanidade, sob inspiração dos mensageiros de Deus. Pouco a pouco o homem liberta-se dos instintos primitivos e eleva-se à condição de homem, de ser civilizado a caminho da angelitude e da felicidade completa. Na família, são expurgadas mágoas do pretérito, os antigos inimigos se perdoam, a fraternidade se desenvolve.

Alguns, por dedução precipitada entendem que a família representa um retrocesso Enganam-se, associam a palavra família à tirania do pai sobre os filhos e a mulher. A própria evolução tem corrigido essa distorção. Hoje, as nações mais civilizadas reconhecem a igualdade de direitos entre homem e mulher e a necessidade de educar as crianças com disciplina amorosa.

A crise da família que observamos é passageira, inspirada, na maioria das vezes, nos equívocos do materialismo que por sua vez, também está passando. O Espiritismo veio desferir golpe fatal no materialismo. A missão da Doutrina Espírita é fortalecer os laços de família, aperfeiçoando-os.

Necessário fortificar a família como abrigo das almas que chegam ao mundo, inexperientes e frágeis. Negar esse direito às crianças e aos jovens é ação de egoísmo e dureza do coração.

Sem receio, portanto, vamos defender a permanência e a evangelização da família. Assim teremos um futuro de progresso, de conforto espiritual, de solidariedade. Lancemos a semente da família evangelizada hoje; colheremos o Bem e a felicidade amanhã.

por Isoláquio Mustafá Filho