Francisco Valdomiro Lorenz

Lorenz , um dos primeiros esperantistas do mundo, nasceu na Tchecoslováquia, na província da Boêmia, em 24 de dezembro de 1872. Aos dezoito anos publicou um livro em Esperanto que foi traduzido para dezenas de idiomas.

Alguns anos depois, transferiu-se para o Brasil. Chegando à terra do cruzeiro, residiu  no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Posteriormente estabeleceu-se no interior do Rio Grande do Sul, em uma  cidade chamada de Dom Feliciano. Em 1894 casou-se com Ida Krascheffski, jovem alemã que migrara para o Brasil aos 7 anos de idade.

Era colaborador espontâneo do Círculo Esotérico e participava da Ordem Rosacruz. Escreveu um interessante livro sobre mediunidade poliglota intitulado “A Voz de Antigo Egito” editado pela Federação Espírita Brasileira.

Após a desencarnação, transmitiu a Chico Xavier um interessante livrinho: O Esperanto como  revelação – Esperanto kiel revelacio.

Lorenz publicou 36 livros. Entre tantas obras de valor, traduziu o Baghavad Gita (livro sagrado dos hindus),  a partir do Sânscrito.

Em Dom Feliciano, Lorenz exercia a profissão de professor primário. É bastante conhecido o episódio, ocorrido em 1928, quando convocado para prestar exames de capacidade em Porto Alegre. Eis o fato :

Compareceu à reunião, preparada em um salão da Biblioteca Pública, para prestar os exames referidos, ao lado do professorado gaúcho. Quando convocado a dirigir-se ao púlpito,  Lorenz, trajado à matuta e trazendo consigo um característico chapéu de palha do interior, foi vitima de “risinhos” dos circunstantes.

A Comissão Examinadora era presidida por competente poliglota, o Dr. Maurício Cardoso. Lorenz aparentava uns 45 anos de idade. Iniciadas as provas aproximou-se o grande matemático Dr. Francisco Rodolfo Smich.  O examinador rapidamente percebeu que estava diante de um grande conhecedor da matéria, por isso, estendeu o diálogo por mais tempo do que o habitual, o professor Lorenz provou que dominava complexos temas no campo da Matemática. Respondeu e solucionou com admirável facilidade, todos os temas que lhe foram apresentados.

Em seguida, o Dr. Maurício Cardoso, que falava fluentemente nada menos do que doze línguas iniciou os testes de Português. O professor de Dom Feliciano demonstrou conhecimentos seguros de nosso idioma e mostrou-se merecedor da nota máxima com louvor.

O examinador perguntou se Lorenz poderia submeter-se a exame de conhecimentos em outros idiomas. A resposta foi positiva.

Dr. Maurício conversou com  F V Lorenz nos doze idiomas que dominava e teve a grata surpresa de ouvir observações interessantes, detalhes sobre a pronuncia e a origem histórica das variações de cada língua. Dizia o matuto :

“Ex.ª, a sua pronúncia desta palavra denota que o seu professor era originário ou descendente de algum habitante de tal ou qual cidade da Alemanha, Áustria, Inglaterra, Pérsia, etc. Isso é natural, porquanto esses povos, através de muitos séculos, empenharam-se em muitas guerras, e certas palavras sofreram substânciais alterações, principalmente em sua tônica. E prosseguindo: nas capitais, onde se cultuam as regras gramaticais, a pronúncia é assim (e pronunciava as palavras, citando os motivos)1.

Impressionado com o que vira, Dr. Maurício indagou:

– O Senhor fala mais algumas línguas?

Ao que Lorenz replicou:

– Sim, algumas.

– Quantas?

– Eu entendo e escrevo, atualmente em cinqüenta e duas línguas. Devo confessar, entretanto, que estou lutando para aperfeiçoar-me na pronúncia das que eram faladas pelos Maias, Aztecas e Ameríndios.

– O Sr. fala japonês? Perguntou o Dr. Maurício, vivamente impressionado.

– Sim respondeu Lorenz.

Foi convidado, de improviso um amigo do Dr. Maurício, Dr. Nemoto. Feitas as apresentações, em poucos instantes de diálogo na língua dos japoneses, o Dr. Nemoto, declarou que o cidadão era mesmo um fenômeno pois que além de entender e falar corretamente o japonês, ainda declarou ao Dr. Nemoto que o japonês por ele falado não era o de Tókio, mas da ilha de Yokohama, o que era verdade.

Imagino que o humilde professor primário deixou o púlpito ovacionado e que os professores que ousaram ridicularizar a presença do madurão matuto nunca se arrependeram tanto de seu descaso por um ser humano simplesmente com base nas aparências.

O governador Dr. Getúlio Vargas, ciente  do ocorrido convocou o Sr. Lorenz para uma entrevista, na qual convidou-o para ocupar importante função de tradutor no Departamento de Relações Consulares.

“- Sr. Governador, disse Lorenz. Sensibilizado ao máximo, agradeço a V. Ex.ª tão honroso convite. Entretanto, se vossa extrema bondade permite, imploro que me deixe voltar para minha Escola. O senhor nem pode imaginar o quão feliz me sinto em poder ir diariamente para minha Escola, levando junto comigo um elevado número de meninos!

O saudoso Dr. Getúlio Vargas, embora coerente com a idéia inicial, terminou concordando, e lá se foi o Lorenz para o convívio de seus amados meninos” 1

Observação: essas informações foram colhidas das seguintes fontes:

– Wikipédia – http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Lorenz

(1)    – http://www.hermanubis.com.br/Biografias/BioFranciscoValdomiroLorenz.htm

Esse episódio da vida de Lorenz foi veiculado pela revista Reformador da Federação Espírita Brasileira, há alguns anos atrás.